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Páscoa

PÁSCOA: Festa cristã que celebra a ressurreição de Jesus. Muitos costumes ligados ao período pascal têm a sua origem nos festejos da primavera e em festivais pagãos de agradecimento a terra pelas colheitas. Entre informações históricas e lendas, conseguiu-se estabelecer que a primeira Páscoa foi celebrada no século 13 A C, pelos hebreus. Esta é também reconhecida como a primeira versão da Páscoa com um sentido religioso; o Pessach ou Passover (Passagem), a Páscoa judaica, que comemora o êxodo israelita do Egito; da escravidão para a liberdade. Um ritual de passagem, assim como a “passagem” de Cristo da morte para a vida.

Tradições:

Pomba: Caracterizada na “Colomba” pascal = pão doce com a forma da ave, semelhante ao panetone, diferenciando-se pelo uso mais acentuado de cascas de laranja cristalizadas, que substituem as uvas passas. Sua receita contém mais manteiga e ovos e pode receber cobertura de glacê, amêndoas ou chocolate.

Coelhinho da Páscoa: O coelho, apesar de ser um mamífero e por conseguinte não botar ovos, assumiu o papel de produtor e entregador dos ovos de Páscoa. Isso devido à notória capacidade de reprodução desses animais que se tornaram símbolo da fertilidade. A tradição do coelho da Páscoa foi trazida à América por imigrantes alemães em meados de 1700.

Ovos de Páscoa: Os ovos guardam em si a imagem de uma nova vida, por isso foram adotados como símbolo de renovação. Em alguns costumes pagãos, o Céu e a Terra são formados pelas duas metades de um ovo. Os persas acreditavam que a Terra saíra de um ovo gigante. Os cristãos primitivos da Mesopotâmia foram os primeiros a usar ovos coloridos na Páscoa. No Antigo Egito e Pérsia, eram pintados em tons primaveris. As primeiras cestas de Páscoa se assemelhavam aos ninhos de pássaros. Antes, as pessoas colocavam os ovos nos ninhos em honra da deusa Eostre, a deusa da Primavera (descreve a direção do nascente – Leste); daí a palavra Easter. Na Grã-Bretanha, costumava-se escrever mensagens e datas nos ovos. Os eslavos usavam decorações douradas e prateadas em seus ovos. Os armênios decoravam os ovos vazios com imagens religiosas. Na Alemanha, é antigo o costume de dar ovos de Páscoa às crianças, e teria, originalmente sido trazido por missionários que visitaram a China, onde há muitos séculos já existia o hábito de presentear amigos com ovos cozidos e coloridos na Festa da Primavera do Hemisfério Norte, exatamente na época em que se comemora a Páscoa. Os ovos eram enfeitados a partir do cozimento com ervas que soltavam tintas fortes, entre as quais a fruta do tojo (que lhes dava uma cor amarelada), a beterraba e a casca da cebola. Edward I registra em 1290 a despesa de compra de milhares de ovos para serem distribuídos às pessoas de sua corte. A tradição dos ovos decorados chegou à Europa na Idade Média, levada pelos cruzados. Ovos de galinha e pata foram substituídos por ovos de madeira, prata e ouro, decorados com pedras preciosas. No século XVIII, a Igreja adotou oficialmente o ovo como símbolo da ressurreição de Cristo, santificando um costume originalmente pagão. Na Europa católica, ovos coloridos passaram a ser bentos pelos cristãos e oferecidos aos fiéis. Na evolução do costume de se presentear na Páscoa com ovos, durante algum tempo eles foram confeitados e feitos de açúcar. Por fim, surgiram os ovos de chocolate. Os primeiros eram feitos de chocolate escuro, recheados, mas bastante simples. A evolução rápida e o refinamento atingem o auge nas décadas de 1830 e 40.

CHOCOLATE: Nome científico “Theobroma cacao”, batizado pelo botânico sueco Linneu, em 1753. Theobroma é o nome dado pelos gregos ao “alimento dos deuses”, o chocolate. Mas foi com as civilizações Maias e Astecas, as quais consideravam esse alimento sagrado que tudo começou. Na Europa, chegou por volta do século XVI, tornando rapidamente popular aquela mistura de sementes de cacau torradas e trituradas, a que se junta depois água, mel e farinha. Deve-se lembrar que o chocolate foi consumido, em grande parte de sua história, apenas como bebida, acreditava-se que, além de afrodisíaco, dava poder e vigor aos que o bebiam. Também já foi considerado um pecado, um remédio, sagrado e profano. Chega o século XX; os bombons e ovos de Páscoa foram criados como uma forma de estabelecer o consumo do chocolate no mundo inteiro, aliado há um novo elemento: fonte de alimento de alto valor nutritivo e energético.

RECEITAS:

Usar a casca do ovo de chocolate como bowl é uma delícia de idéia! E muito fácil de realizar, além da bela apresentação!

Ovo de Chocolate com Creme e Calda de Maracujá.

Ingredientes:

Base:

3 ovos de chocolate escuro nº 12 de sua preferência (crocante, ½ amargo, gianduia).

Creme de Maracujá:

  • 180 ml de água;
  • 1 envelope de gelatina em pó sem sabor;
  • ½ xícara de suco de maracujá;
  • 1 xícara de açúcar;
  • 240 ml de creme de leite fresco.

Preparo:

Numa panela pequena, polvilhe a gelatina com ¼ de xícara de água e hidrate por 5 min. Leve ao fogo baixo em banho-maria e mexa até a gelatina derreter (sem ferver).
Numa tigela grande, junte a gelatina, a água restante e os demais ingredientes e mexa até a mistura ficar homogênea. Coloque a tigela num recipiente com água e gelo (cerca de 10 min.) até que o creme fique ligeiramente espesso.
Com o auxílio de um saco de confeitar, coloque o creme nas cascas dos ovos de chocolate, arrume numa assadeira e leve à geladeira por 20 min (até que o recheio fique ligeiramente firme).

Sugestão: Substitua o creme por sorvete de creme.

Calda:

  • 2 maracujás;
  • 1 e ½ copo de suco de maracujá;
  • 1 copo de açúcar.

Preparo:

Coloque os ingredientes para ferver por 20 min. até engrossar ligeiramente. Resfrie.
Sobre a mousse e em volta do prato, coloque a calda de maracujá; sirva a seguir.

Ovo de Chocolate com Frutas Frescas.

Ingredientes:

Base:

Ovo de chocolate escuro inteiro (de sua preferência) quebrado delicadamente e irregularmente na tampa;
Suco de laranjas;
Frutas delicadamente picadas: morangos, kiwi, pêssegos, uvas etc.;
Açúcar de confeiteiro.

Dica: Utilize a sobra de chocolate da tampa, derretida, para apoio dos ovos.

Chantilly:

O creme chantilly nada mais é do que o creme de leite batido e adoçado. Opcionalmente, pode ser aromatizado com essência de baunilha ou com licor.
Coloque ½ kg de creme de leite fresco bem gelado numa tigela. Coloque a tigela dentro de um recipiente com gelo ou água gelada.
Em seguida, bata o creme de leite com uma batedor elétrico (ou batedor manual) por 2 minutos (até começar a engrossar).
Adicione 10 colheres (sopa) de açúcar, pouco a pouco, sem parar de bater. Bata por mais 1 minuto, ou até obter uma consistência firme.
Bata até que o batedor deixe marcas nítidas quando levantado, mas tome cuidado para não bater demais, pois o creme pode se separar.

Dicas para não errar o ponto do chantilly.

  • O creme de leite fresco deve estar bem gelado.
  • Para aumentar o volume do chantilly, resfrie o batedor e a tigela em que o creme de leite vai ser colocado.Dica: deixe os utensílios no congelador por 1 hora.

Genoise:

  • 125 g de açúcar;
  • 125 g de farinha de trigo;
  • 5 ovos;
  • 60 g de manteiga.

Preparo:

Bata os ovos com o açúcar em batedeira até triplicar de volume. Com delicadeza, adicione a farinha de trigo peneirada, misturando bem. Junte a manteiga derretida e coloque para assar imediatamente.
Recheie o ovo com uma camada de genoise, regue com um pouco do suco de laranja, coloque algumas frutas picadas, acrescente o chantilly. Alterne as camadas, terminando com as frutas. Polvilhe açúcar de confeiteiro e sirva a seguir.

Dica: Coloque um pouco da sobra de chocolate derretido e levemente resfriado (espesso) em cada prato de sobremesa; apoie os ovos sobre esse chocolate, mantendo-o em pé.

Utilização: sobremesas de Páscoa.

Vinhos:

Fortificados doces como Banyuls, Málaga ou Porto Tawny; em sobremesas: Muscat de Beaume-de-Venice, Sauternes jovem.

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Simone Lisa Sanchez Vieira de Souza
Consultora Gastronômica

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